Salão do Buraco #1

Salão do Buraco #1

 

A costumeira ação dentro de um espaço expositivo: contemplar, torna-se uma nítida impossibilidade diante desta instalação. Quando descemos as escadas, nos deparamos com este nicho onde uma lâmpada(que abusa de sua potência de dar a ver) se encontra diante de um espelho, ofuscando a visão de nossa própria imagem refletida e do ambiente que nos cerca. Não se pode sustentar o olhar. O espelho agora aprisiona uma imagem que não nos pertence mais, no entanto quando retiramos os olhos da lâmpada num instinto de preservação,  percebemos que a luz se imprimiu em nossas retinas, o momento presente se expande, cava um espaço dentro do observador, se alojando, e se faz algo que não é passível de ser deixado pra trás, impossível de abandonar mesmo desviando os olhos.
Uma imagem perdura cerca de 1/24 de segundo em nossas retinas após sua visualização, esse  fenômeno fisiológico é conhecido como persistência retiniana, e foi um entendimento que possibilitou a ilusão de movimento criado pelo cinema.
O filosofo Jacques Rancière pensa a partir desta questão cognitiva para cunhar o conceito de persistência retiniana histórica, que versa sobre como as imagens também persistem nos corpos, obedecendo outra duração(histórica), e de como o agenciamento dessas imagens apresenta uma interdependência que, ao tecer relações, são produtos e produtoras de realidades no mundo. Trazendo esse pensamento para a escala individual podemos pensar nas imagens que regem nossa historia pessoal, tudo que atravessamos ou pelas quais fomos atravessados. Afinal uma observação nunca é passiva, por mais que a palavra possa sugerir isso, é sempre um confronto. A proposta do artista  é jogar luz sobre o fato de que ao passo que vorazmente consumimos imagens, também somos silenciosamente devorados por elas, porque contemplar é embativo.
Texto: Aleta Valente
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Gazua VIP Colectors Edition Ouro Page 1 (VIPCEOP)1

Hannigan tinha acabado de cavar o túmulo, na baixada de um terreno pantanoso, onde um fio de água salgada fluia em direção ao Pacifico, quando a sombra negra de um homem surgiu no nevoeiro. Assustado, Hannigan ergueu a pá como uma arma, acima dos ombros. O outro homem havia se materializado a menos de 20 jardas de distância vindo da direção da praia e havia parado no momento em que avistou Hannigan. A luz difusa proveniente da lanterna de Hannigan não conseguiu atingir o homem: ele era apenas uma silhueta negra contra as ondas farfalhantes de névoa. Atras dele as ondas do mar açoitavam a praia escondida, num ritmo incessante. Hannigan disse: Pelos infernos, quem é você? O homem permaneceu olhando para baixo, as peças enroladas pelo pano junto aos pés de Hannigan ao lado do buraco cavado na terra arenosa. Parecia equilibrar-se firme nos pés, o corpo ereto, como que preparado para dar um salto a qualquer instante: - Faço-lhe a mesma pergunta - disse ele em voz tensa e firme. - Acontece que moro aqui - disse Hannigan fazendo um gesto com a pá para a esquerda, onde um raio pouco luminoso varava o nevoeiro. - Esta é uma praia particular. - Cemitério particular também? - Meu cão morreu esta tarde. Não quero deixá-lo rolando em torno da casa. - Deve ter sido um daqueles grandes, hein? — Ele era um „Grande Dinamarquês“ - disse Hannigan, esfregando o suor com a mao livre.- Voce deseja alguma coisa ou está...
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